terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Blogmas 2017: A história de uma lagarta

A pequena ia,
De galho em galho e ria,
Sem se importar muito com o amanhã.

Um dia, ao olhar para longe,
Observou as borboletas, voando aos montes,
E decidiu mudar.

E o que era uma ambição,
Tornou-se aos poucos uma obsessão,
Que parecia estar a cada dia mais distante.

Comer folhas por 24 horas,
Não parecia ser suficiente agora,
Ela queria ser uma borboleta.

Seria uma Melissa Samuelis ou uma Monarca talvez,
Viveria por uma semana ou por seis,
Ela só queria voar livre por entre as flores.

Trocou o prazer e a diversão,
Pelo controle e a limitação,
Contando os dias para o sucesso.

Seu sorriso não era frequente,
As dores eram recorrentes,
E deslizes não eram permitidos.

Ela nunca se empenhará com tanto fervor,
Por vaidade, influência ou amor?
Apenas a largarta entedia os seus próprios motivos.

O tempo foi passando,
Os resultados foram chegando,
E ela tudo documentou.

Mas a euforia não durou,
Pois a compulsão a alcançou,
E a lagarta não conseguiu mais parar.

E como em uma avalanche,
De erros e falhas constantes,
Ela se afundou em um mar de tristeza.

Todo aquele tempo fora desperdiçado,
E na linha de largada fora recolocada,
De onde tinha de fazer uma escolha.

Uma bifurcação se encontrava a sua frente:
Iria desistir e se afundar ou recomeçar doente?
Essa era uma escolha que deveria fazer sozinha.

Por se odiar, caia,
E quanto mais o fazia, mais ódio sentia.
O que a impedia de deliberar com clareza.

Sem saber para onde ir, Morgana,
Agora menos Mor e mais Ana,
Assiste o sofrer do físico e o seu psicológico a morrer,
Permitindo aos poucos, que a dor tome por inteiro, o seu ser.

Por mais que a dor exista,
E o descontrole persista,
Ela continua a sorrir para todos.

Não por uma tonta falsidade ou uma loucura fria,
Mas porque no fundo ela sabia,
Que ninguém a entenderia.

WYDLOCK, Morgana

 


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