terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Blogmas 2017: Entre a vontade e a realidade



Eu subi no ônibus e lá estava ela. Uma garota de mais ou menos 1,60 cm, cabelos curtos e ruivos que contrastavam com a pele clara, olhos castanho escuros e semblante sério. Usava uma camiseta com a estampa de várias câmeras fotográficas, jeans claros, sapatos pretos e bolsa marrom de franjas. Notei uma âncora tatuada em seu braço que logo remeteu ao papel de parede do meu celular que diz “Me recuso a afundar” e ao lado tem a imagem de uma âncora sendo levantada por um balão vermelho. 
Já encontrou uma pessoa aparentemente tão encantadora, ao ponto de você desejar ter essa pessoa em sua vida? Fiquei parada alguns centímetros atrás dela, me segurando ao mesmo mastro no qual ela apoiava as costas. Hora ou outra ela passava as pontas dos cabelos inconscientemente pelos meus dedos, fazendo cócegas em meus dedos. O vento circulava e fazia com que seu perfume chegasse até minhas narinas, era doce, mas forte ao mesmo tempo.
A única coisa que me preocupava, era que eu sabia que hora ou outra, uma de nós desceria e pode ser que eu nunca mais a veria novamente. Fiquei pensando em maneiras de começar um assunto, sem parecer estranha ou inconveniente. Com uma pergunta ou uma piada talvez? Eu não sei. E foi quando olhei para seu reflexo na janela, que notei o quão interessada parecia estar nas músicas que escutava com seus fones brancos, por isso resolvi não a perturbar, mas apenas admirá-la.
Não sei quanto tempo se passou, se foram horas ou segundos. Mas quando cheguei ao meu ponto e vi que desceu ao meu lado, não pude esconder minha felicidade. Eu já havia decidido não iniciar uma conversa, mas pelo menos poderia imaginar que estávamos caminhando juntas.
Logo à nossa frente, havia uma aglomeração de pessoas. Tentei atravessar e em algum momento me esqueci que estava “acompanhada". Só quando cheguei do outro lado, e olhei para trás que percebi que estava sozinha. Supus que aquele era seu destino e com uma pontinha de infelicidade, me dirigi ao meu.
Não sei se voltarei a vê-la algum dia, se poderei lhe perguntar seu nome, idade ou endereço. Não sei se teremos a oportunidade de conversar por segundos, minutos ou horas. Não sei se você vai rir da minha timidez ou me achar divertida, talvez. Não sei se vamos trocar telefones e combinarmos de conversar outra hora. Não sei se vamos descobrir que temos gostos parecidos ou rir das diferenças. Não sei se vamos poder iniciar uma amizade momentânea ou de longa data. Não sei ao menos se vou chegar a descobrir qual as músicas que conseguiram prender tanto a sua atenção. Eu não sei de nada, mas gostaria de saber.
Moça ruiva do 087, eu não sei se voltarei a te ver, mas sou grata por ter me inspirado, mesmo que sem saber a escrever esse texto. Acho que de certa forma, é assim que a vida funciona. Não sabemos se nada vai dar certo ou errado, se nossas amizades são eternas, se nossos crushs de amizade vão permanecer, se nossos sonhos se concretizarão, se morreremos daqui a 100 anos ou daqui a 1 segundo. Então ao invés de sentar e esperar, diferentemente de mim, dê o primeiro passo para tornar as coisas diferentes. Melhor do que imaginar, é poder tornar realidade. 
GARCÍA, Luna 

2 comentários:

  1. Adoro esses relatos simples, de coisa que acontecem no nosso dia a dia. Houve algo parecido comigo uma vez, quando eu não conseguia não olhar admirada para as tattos de uma garota no ônibus. Obviamente eu não puxei assunto, pois como me sinto desconfortável quando algum desconhecido fala comigo, também achei que ela se sentiria. De toda, forma, às vezes a gente consegue se inspirar só olhando para alguém que exala uma energia positiva :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Até hoje eu espero reencontrar essa garota para agradecer, pois ela me levou a voltar a escrever no ano passado (esse texto é de 2016). Mas acho legal quando algo ou alguém nos deixam tão encantados.
      Obrigada por ter lido e por ter comentado <3

      Excluir