quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Blogmas 2017: Carta aberta sobre os meus sentimentos




(Este texto foi escrito e postado via celular, então erros de gramática e formatação devem ser desconsiderados)

        Dispensando apresentações, eu decidi vir aqui para responder a pergunta que parece ser o tema do ano nos meus grupos do WhatsApp: "O que está de fato acontecendo com você?" Este será um desabafo quase que 100% honesto, por existirem temas os quais eu ainda não consigo verbalizar. Se não tem interesse, peço que feche a aba e espere até amanhã, quando postarei um texto com abordagens e finalidades completamente diferentes.

        Quem acompanhou o blog desde a sua criação, que foi no final de julho deste ano, sabr que a sua finalidade era compartilhar sobre o meu relacionamento com Deus e tudo o que eu conseguisse extrair desta conexão, de modo a ajudar as pessoas. Todavia depois do meu aniversário, que foi em agosto, eu notei que não estava mais me sentindo tão disposta e animada quanto antes. Eu comecei o Te Gabando (nome original do blog) por estar me sentindo plenamente feliz e conectada com o Pai, todavia de repente eu não estava mais assim. Eu estava me sentindo pior do que antes, e foi a partir dai que as coisas começaram a ficar complicadas. Eu escrevia sobre um amor, uma compaixão e um perdão que eu não conseguia sentir e muito menos compartilhar. As pessoas me procuravam para receberem conselhos que eu não era mais capaz de dar. Eu falava de uma vida que eu não estava conseguindo viver e foi aí que algo que era pra ser uma bênção, passou a ser o meu maior fardo. Eu tive que deixar o Blog por um mês, enquanto decidia para qual caminho eu deveria seguir, e de certa forma, isto me ajudou bastante.
        Eu venho enfrentando um quadro depressivo desde 2011, e tenho pensamentos suicidas desde 2013. Enquanto eu estava tendo interações sociais e convivendo com pessoas que me distraiam da minha realidade, eu conseguia me mostrar feliz. Só que houve um período de quase seis meses, entre o fim do meu ensino médio e o começo do meu ensino superior, no qual eu fiquei em casa, sem fazer praticamente nada. Eu não via pessoas, não me deparava com os problemas alheios, me obrigando assim a enfrentar os meus.
        Nesse momento, eu acabei ficando "viciada" em redes sociais e livros, pois de certa forma, estar em contato com outras coisas me fazia parar momentaneamente de sentir a minha própria dor. Só que eu não poderia fazer isso pra sempre, e foi quando eu me desesperei. Isso durou até o início do meu primeiro semestre em Artes Visuais, quando eu passei a ter um motivo para sair de casa, ver pessoas e ocupar a cabeça com algo útil: conhecimento. Tudo correu muito bem, até eu começar a me questionar que talvez eu não estivesse no curso certo para mim. Por mais que eu me esforçasse e fizesse as coisas, elas não pareciam funcionar da maneira a qual deveriam. Então aquele ambiente no qual eu me sentia livre, começou a se tornar a minha prisão.
        Queria muito dizer que tudo ficou bem depois, mas nem tudo são flores. Eu tive problemas em casa, e por isso tive que trancar o terceiro semestre do curso. Tudo bem que eu já estava decidida a mudar para Letras, mas eu tinha decidido cursar ao menos o terceiro semestre, para conseguir abater mais matérias pedagógicas do curso novo. Lembro que, antes de solicitar o trancamento, eu conversei com algumas pessoas sobre como tinha receio de o fazer, por temer que voltasse a me sentir mal. Infelizmente, eu estava certa.
        Eu tive problemas de março a junho desde ano, por estar em casa. Neste período, apareceu a oportunidade de transferência de curso, e eu passei. Só teria agora que esperar até agosto para poder voltar a estudar. Neste momento, eu decidi organizar a minha vida, nos quesitos físico, emocional e espiritual.
        Eu comecei a buscar arrumar o que estivesse quebrado e a tentar fechar as brechas na minha vida. Em julho, eu já estava bem, de uma forma a qual eu nunca havia estado antes. Eu conseguia buscar ao Pai todos os dias, tinha comprometimento em tudo o que começava e conseguia transbordar amor a todos com quem entrava em contato, foi nessa época que o Blog surgiu, em uma tentativa de alcançar mais pessoas para Ele.
"Mas então, o que mudou?" Como eu disse, eu notei que não estava como antes entre os meses de agosto e setembro. Para quem não sabe, eu me converti em setembro de 2016, e sempre que eu tinha algum problema que me afastava do Pai, mesmo que estivesse enfrentando um deserto, não conseguindo ouvi - lo ou senti - lo, eu insistia, pois acreditava que só Ele poderia me ajudar e me curar. Meu conceito a respeito disso não mudou, continuo tendo esta perspectiva, todavia eu não consigo mais me comunicar com Ele desde o dia 10 de setembro. Já faz quase três meses que eu não oro, faço devocionais, jejuo ou leio a Bíblia. Não, eu não estou bem. Eu sinto uma dor e um vazio que nada, nem ninguém é capaz de preencher. Entretanto, neste momento eu preferi me manter distante. E eu não o fiz para "aproveitar uma vida de pecados no mundo", mas por estar me arrastando, sobrevivendo em mentiras e segredos. A forma a qual eu estou vivendo não condiz com o que o Evangelho prega, no momento eu estou fazendo coisas as quais eu não tenho coragem de confessar para as pessoas, por mais erradas que elas sejam. Eu entendo a importância de querer os sonhos e a vontade Dele para nossas vidas, de acreditar que Ele quer o melhor para nós, porém eu decidi me distanciar disso por acreditar que eu não mereça mais ser amada por Ele, devido ao modo como eu estou levando a minha "vida". Eu sei quem Ele é e a respeito do amor Dele, mas eu não acho que eu mereça este amor agora, e assim eu corro pra cada vez mais longe.
        A verdade é que eu estou cansada. Cansada de ser cobrada a apresentar um bem estar que eu não consigo demonstrar. Independente do que digam, eu não vou voltar pra perto Dele até me sentir um pouco melhor. Eu não quero voltar assim, mesmo sabendo que Ele pode te limpar e me curar. Caminhei ao lado Dele por um ano, e foi um período de idas e vindas. Eu acredito que preciso resolver as coisas que aconteceram antes de eu encontrá - lo, de problemas de 2016 até traumas de 2004. A verdade é que eu não consigo ter uma relação com Deus agora e diferente das outras vezes, eu não vou fingir. Quero voltar a ter uma relação verdadeira com Ele, quero queimar de amor e saudades, e não voltar porque querer parar de sentir dor, ou por medo de alguma punição.
        O que mais apareceram ultimamente, foram falsos juízes, tentando encontrar culpados e razões para o meu sofrimento. Eles remexeram a camada superficial da minha vida, aquela que eu compartilho com qualquer um e apontaram diversos acusados. Do estilo musical que eu prefiro, a roupas que uso e pessoas com quem convivo, quando na verdade, são estas coisas que estão me mantendo sã. Se eu os desse a senha do meu celular, vocês veriam que não se trata de algum vício ou má companhia, mas de transtornos e traumas não superados. Além disso, se tem algo que eu aprendi, é que procurar por um motivo é uma completa causa perdida. Achar um "porque" não vai me fazer melhorar de uma hora para outra. As maiores batalhas que você enfrenta, são as que você trava sozinho, e por melhores que sejam as intenções, eu peço que parem. Não são visitas inesperadas, grupos em redes sociais, presentes ou rolês que vão me deixar bem. Estas coisas só fazem com que eu me sinta mais pressionada a me curar, e como eu não consigo, acabo me sentindo frustrada e decepcionada. Eu preciso de um tempo sozinha, e não isto não vai me fazer mal algum. Eu não estou desistindo, mas tomando fôlego para caminhar em direção a mudança, e as interferências externas mais parecem me parar do que me impulsionar para frente. 
        Se quiser realmente contribuir, converse comigo, esteja aqui quando eu precisar desabafar ou simplesmente contar piadas extremamente sem graça. Mas também, não precisa me procurar todos os dias, perguntando se estou bem. O fato de eu estar mal, não quer dizer que precisa pisar em ovos comigo, como se eu fosse feita de vidro e qualquer movimento brusco pudesse me fazer quebrar. Muito pelo contrário, as vezes eu vou sumir por horas, dias, até mesmo semanas, e não tem mal algum nisso. Acredite, se eu precisar, não hesitarei em buscar a sua ajuda. Todavia, memes, vídeos, gifs são sempre bem vindos. Eu amo você que está lendo isso, mas preciso aprender a caminhar com as minhas próprias pernas, por mais doloroso e longo que seja o percurso. Eu ainda vou sair de casa e ter interação social, mas só quando eu quiser e puder o fazer. Nos outros momentos, estarei sendo muito bem acompanhada por livros, xícaras de chá, playlists do Spotify, séries e a minha família. Não se preocupe, tudo vai dar certo. Eu ainda quero ser procurada quando você estiver precisando de conselhos, abraços apertados ou puxões de orelha, por isso, não hesite em me chamar. Caso eu não possa te ajudar, serei honesta com você. Obrigada por ler, e não se preocupe em mandar textos gigantes nos comentários ou via redes sociais. Apenas absorva a mensagem e me permita caminhar amanhã minha maneira.

Com muito carinho,

NEVES, G. L. L. e WYDLOCK, Morgana 

2 comentários:

  1. O final do seu texto foi bem motivador.

    Ao contrário de você, eu fiquei melhor depois que parei de ver pessoas. Talvez isso tenha agravado algumas coisas em mim (comecei a falar com pessoas que não existem), mas é que, quando eu estava na faculdade, parecia que tudo me puxava para baixo. As pessoas eram tóxicas. Eu ouvia a frase "a vida é um castigo e a morte é um livramento" quase todo dia, e até hoje eu ainda penso que essa frase é verdade. As coisas não melhoraram aqui em casa, pois meus pais estão brigando bastante (pode parecer errado dizer isso, mas eu preferiria que cada um fosse viver num canto), minha mãe simplesmente não entende que não tem a filha extrovertida e que adora multidões, e eu estou cada vez mais dentro do meu mundo particular. Não converso com muitas pessoas, simplesmente não consigo dizer meus problemas para os outros pois, NA MINHA CABEÇA, ninguém quer lidar com problemas alheios. Mas, de certa forma, estar no meu mundo particular me ajuda mais que tudo, pois lá eu consigo resolver tudo que há de errado, e acabo trazendo isso para a realidade. Continuo acreditando que as coisas vão melhorar, de um jeito ou de outro.

    Boa sorte com as sulas batalhas interna, e parabéns pela coragem de compartilhar isso por aqui <3

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    1. Nossa Lu, eu não imaginava que se sentia assim. Eu mais escrevi esse texto pra explicar aos meus amigos o que estava se passando e tirar parte desse peso das minhas costas, o que de certa forma funcionou.
      Se quiser conversar melhor sobre isso via Facebook, estarei sempre disponível pra ouvir você.
      Espero que as coisas melhorem para ambas de nós, e que tenhamos força para superar tudo isso.
      Obrigada por ter lido e por ter comentado <3

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