sábado, 4 de novembro de 2017

Precisamos conversar

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                Primeiramente, quero me desculpar pela demora. Sei que, tecnicamente, eu não tinha estipulado nenhum horário para as postagens, mas eu sinto que preciso ao menos dar uma explicação para o meu sumiço. Eu lido com um quadro depressivo há alguns anos, que vai e volta, me derrubando de alturas cada vez maiores. Eu procurei ajuda, acredite, mas nem sempre é fácil consegui-la. Eu pretendo abordar esse tema de uma forma mais completa futuramente, então se quiser saber mais, aguarde pelas próximas postagens.
                Vocês devem estar confusos com a mudança de url e nome do blog, mas se acalmem que eu irei lhes explicar. Inicialmente, o “Te Gabando” foi criado com o intuito de falar sobre e apenas de Deus. Só que eu, Gaba, não apenas escrevo sobre Ele, e isso não quer dizer que eu não o esteja adorando de outras maneiras. Você não precisa orar da 00h00 às 23h59 para engrandecer ao Pai (todavia, se puder e quiser fazer, sinta se livre), mas em tudo o que fizer, seja trabalhar, estudar, conversar, dançar, cantar, tocar, atuar, tomar decisões, aconselhar ou qualquer outra coisa, o faça para a Glória de Deus. Eu continuarei falando Dele e transmitindo o seu amor, entretanto eu pretendo mostrar todas as minhas faces e inseguranças, o que me levou a ampliar os temas aqui abordados.
                Eu pretendo alterar bastante a aparência do blog, todavia isso levará tempo, e eu necessitava compartilhar este texto ainda hoje. O novo nome “This side of Paradise”, é mais ou menos o que este espaço representa para mim, um local no qual eu posso ser eu mesma, apresentar as minhas cinco versões (que serão melhor explicadas futuramente), sem medo de ser recriminada ou repreendida. O nome vem do título de um EP e de uma música da cantora, compositora, atriz, e dançarina americana, Hayley Kiyoko, que além de ter atuado e uma das minhas séries favoritas, “CSI Cyber”, possui uma das vozes com a maior capacidade de me encantar e acalmar. Sua canção, descreve muito bem a forma como me sinto agora:

                “Eu não quero estar em outro lugar
                Então, em outro lugar, mas aqui
                (Este é o meu paraíso)”


***ALERTA DE POSSÍVEIS SPOILERS***

Enfim, agora que já tratamos dos motivos e das mudanças, vamos ao texto. Não sei se cheguei a comentar com vocês, mas eu sou apaixonada por animações, desenhos, histórias fantásticas e contos de fadas. Recentemente eu tive a oportunidade de assistir ao filme Descendentes 2 da Disney. No primeiro filme, depois do casamento de Bela e a Fera, a Fera uniu todos os reinos dos famosos contos de fadas, criando os Estados Unidos de Auradon e foi eleito Rei. Os vilões e os seus lacaios foram banidos para a "Ilha dos Perdidos", uma ilha com uma barreira mágica. 20 anos mais tarde, o seu filho, o Príncipe Benjamin, perto da sua coroação, decide em sua primeira proclamação que quer dar a oportunidade aos filhos dos vilões, da "Ilha dos Perdidos", de viverem em Auradon. Apesar de estarem um pouco relutantes, os seus pais cedem. Os Filhos escolhidos foram: Carlos, o filho da Cruella de Vil; Jay, o filho de Jafar; Evie, a filha da Rainha Má; e Mal, a filha da Malévola.
Muitas coisas ocorrem a estes quatro jovens, tanto que no segundo filme, Carlos e Jay são atletas da escola, sendo Jay o capitão do time de esgrima; Evie é a estilista responsável por cuidar dos trajes do baile de todos os alunos; e Mal, namorada de Ben, está se preparando para se tornar Dama da Corte e noiva do rei. Todos em Auradon parecem esperar que eles deixem seus erros no passado, e se tornem adolescentes modelo, bem como todos os filhos de mocinhos. Toda essa pressão faz Mal surtar e retornar à Ilha, onde pode voltar a ser a vilã que antes fora. Seus três amigos e Ben, tentam fazê-la voltar, o que ela parece não querer. Enquanto isso, um grupo liderado por Uma, filha de Úrsula; Harry Gancho, filho do Capitão Gancho; e Gil, filho de Gaston, sente se rejeitado por não ter sido escolhido por Ben para ir a Auradon, e estão dispostos a tudo para destruí-los. Mas no fim, tudo acaba bem, regado a muita música e dança, assim como em todos os filmes da Disney. Só que, a parte na qual eu quero focar, é no conflito psicológico de Mal, Evie, Carlos e Jay, e na trajetória deles. Há uma parte na obra na qual, depois de retornarem da Ilha, os quatro se sentam no gramado para conversar, e Mal abre o seu coração para os seus amigos:

Mal: Eu to meio confusa, confusa demais. Tipo, seis meses atrás eu estava lá roubando balas dos bebes e agora todo mundo quer que eu seja a dama de honra, e eu não tenho ideia de como fazer isso.
Carlos: Não faça.
Jay: Viu? foi burrice.
Evie: Não foi burrice. Nós sempre seremos os jovens da Ilha. Eu tentei esquecer, tentei de verdade, mas aquelas são as nossas raízes. E todos tivemos que fazer o possível para sobreviver. É por isso que somos assim, e nunca vamos ser como nenhum outro daqui. E não faz mal, está tudo certo.
Carlos: Não da para fingir.
Evie: Não.
Mal: É, ainda mais agora sem o meu livro de feitiços.
Carlos: Se o Ben não amar quem você é de verdade, então ele não te merece.
Evie: Gostei dessa.
Carlos: Da uma chance a ele.
Evie: Vou fazer umas mudanças no seu vestido, e se você concordar, só se você concordar, ele estará pronto para você.
Jay: Vai no baile hoje à noite, beleza? Se o Ben for tonto de não amar você, e você não aguentar mais um dia, eu te levo de volta amanhã.”

Esse diálogo realmente foi importante para mim, pois eu sei como é fingir ser quem você não é, e fazer coisas erradas para tentar atingir as expectativas das pessoas. Ás vezes você viveu no mundo por muitos anos, e agora está em um ambiente onde todos nasceram e cresceram dentro da igreja. Pode ser que você tenha estudado em escola pública a sua vida toda, e agora estuda em uma instituição particular, na qual todos têm uma condição financeira diferente da sua. Você pode ser aquele que enfrentou traumas no passado os quais ainda não superou totalmente, e por isso não consegue se manter alegre e feliz, ou simplesmente ter uma perspectiva positiva a respeito das situações, como os seus amigos. Mas sabe de uma coisa? Não há problema algum nisso.
 Se você tem que forçar algo, é porque isto não te cabe. Sejam roupas, sapatos, empregos ou relacionamentos. Você não precisa ser uma cópia exata de outro alguém para ser bom, basta que você seja você mesmo. E se você está nessa situação, não quer dizer que as pessoas ao redor não te amam, muitas vezes elas nem sabem o que está acontecendo. Não tenha vergonha das suas origens, do seu passado, das suas lutas e dos seus fantasmas, pois eles te ajudaram a formar quem você é hoje e quem você poderá ser no futuro. Assim como a Mal, abra o seu coração e seja honesto sobre como você se sente. Se ainda assim, eles não demonstrarem interesse no seu verdadeiro “eu”, siga com a sua vida. Eles não sabem, a pessoa maravilhosa que eles estão perdendo, e você não vai morrer por não os ter ao seu lado. Não tem problema ser a única garota que não exala feminilidade do grupo; ser o único que não tem dinheiro para o rolê; ser a introvertida que nunca beijou, em meio aos extrovertidos que ficam com várias pessoas; ser o que não demonstra felicidade, apesar das dificuldades; ou até mesmo, passar pelas situações opostas aos meus exemplos.
Nunca julgue ninguém. Por mais que tenhamos empatia pelas pessoas, nunca saberemos com 100% de certeza o que se passa na vida dos outros, então seja gentil. Ás vezes, todos do grupo podem ter passado ou estarem passando pelas mesmas dificuldades que você, mas se escondem por trás de máscaras e sorrisos. O que eu quero dizer é que não se trata de ser quem as pessoas esperam que você seja, mas de ser completamente verdadeiro consigo mesmo. Não tem problema mudar uma coisa ou outra para se sentir melhor ou para buscar crescer, a cada dia mais. Só não se esconda por trás de um escudo, uma casca para ser “aceito”, pois não é para eles que estará mentindo, mas para você mesmo. Você é digno, é incrível e merecedor de todo o amor do mundo. Não esconda essa pessoa fantástica do mundo, pois ao fazer isso, é como se estivesse escondendo um diamante dentro de uma gaveta empoeirada, para exibir uma réplica. Afinal, o princípio do amor ao próximo, é o amor próprio.


NEVES, G. L. L. e Giullia D'Angelo

4 comentários:

  1. Vou começar dizendo que eu gosto bastante de Descendentes, mesmo não achando o melhor filme do mundo hehe. Acho super divertido e, como você deixou claro aqui no post, tem lições importantes a se tirar.
    Eu tento ser eu mesma até onde consigo, mas, infelizmente, ainda tem momento em que eu simplesmente preciso fingir me interessar por algo (tento evitar conflitos). Espero conseguir mudar isso um dia...

    Quanto ao nome do seu blog e as mudanças, realmente às vezes sentimos a necessidade de buscar algo diferente, mas nunca perdendo nossa essência. Isso pode vir de situações ruins ou coisas muito boas (ou uma mistura das duas). Espero que tudo melhore pra você e que esse espaço seja uma dos melhores lugares para você <3

    xoxo :*

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    1. Que linda 😍
      Muito obrigada, de verdade por ler e comentar. Significa muito pra mim.

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  2. Eu acho bom que você faça um cantinho pra lidar melhor com suas faces e explorar seus pensamentos, faz muito bem!
    Eu amo essa músicaaa

    Com amor,
    Bruna Morgan

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    1. Fui checar meu Gmail e acabei tendo um leve surto ao saber que você tinha comentado aushaush'
      Sou apaixonada pelos seus textos desde que li "Namore alguém que ame a sua arte".
      E essa música é realmente incrível, não é?
      A propósito, se não for pedir muito, às 14h30 eu postarei o primeiro de uma série de textos sobre as 5 partes de mim, então se puder e quiser ler...
      Enfim, obrigada pelo comentário.

      Com muito amor,
      Gaba

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