sábado, 5 de agosto de 2017

Resiliência


Eu tive muitos exemplos ao longo de minha vida. Bons e ruins, eles me ajudaram a crescer e me tornar a pessoa que sou hoje. Eu poderia citar meus pais, meus irmãos, meus amigos, meus professores ou até mesmo personalidades famosas, mas hoje eu escolhi contar um pouco da história de minha avó materna. Albina Marques nasceu no dia 17 de fevereiro de 1943. Por conta de um erro ao registra-la, ela ganhou um ano a mais na certidão, que afirma que a mesma nasceu em 1942. Então podemos dizer que ela tem 74 e 75 anos. De pele alva e olhos verdes, ela sempre foi uma mulher batalhadora. Trabalhou muito para garantir que sua família tivesse tudo o que fosse necessário para que obtivessem uma boa qualidade de vida. Teve seis filhos, dos quais a vida lhe tirou três. Restando assim, minha tia Rosangela, meu tio João e minha mãe, Josefa.
Minha avó fumou durante 15 anos. Na fase adulta, ela desenvolveu um quadro de bronquite, e por morar em Amambai, que é próxima da fronteira com o Paraná, ela sempre sofreu com o tempo frio e as quadras bruscas de temperatura. Eu nasci nessa mesma cidade, mas me mudei ainda bem pequena. Desde então, minha avó viajava para nos ver em nossos aniversários e feriados.
Se tem uma coisa que posso falar sobre essa mulher, é que além de ser bastante teimosa, ela não consegue ficar parada. Se tem algo que precisa ser feito, ela o fará, e ninguém será capaz de a impedir. Essa senhora nunca teve medo do trabalho. Ela não se prende ao estereótipo de vovózinha calma que mima os netos. Ela é muito mais do que isso. De percorrer longas distâncias, defender os familiares com unhas e dentes, a carpir um quintal, ninguém é capaz de acompanha-la. Dona de uma vivacidade e coragem sobre humanos, minha avó sempre foi determinada o bastante para conseguir o que quer.
Outro fato é que ela sempre buscou estar próxima de Deus. Eu posso dizer que nunca vi alguém com tanta fé, esperança e confiança no Senhor. Não se passa um dia sem que a mesma ore, leia a Bíblia, e testemunhe as Glórias de Deus por meio de suas ações. Eu poderia contar muitas experiências que passamos juntas, mas neste momento eu prefiro me focar em um episódio que ocorreu há mais de um ano.
Estava chegando o aniversário do meu irmão mais velho, Wesley. Nossa avó pegou o ônibus das 23h, no dia 22 de maio de 2016. Foi uma noite fria, mas nada poderia impedir Albina Marques de nos visitar. Passados alguns dias, minha mãe resolveu leva-la ao médico, por conta da suspeita de um resfriado. Eu havia acabado de chegar em casa depois de uma tentativa de realizar um ensaio fotográfico. Minha avó estava parada perto da porta, junto de minha mãe, que perguntou se eu gostaria acompanha-las. Eu disse que não poderia, pois tinha muitas coisas para fazer. Passaram se algumas horas, e elas não retornaram para casa. Já era quase madrugada quando minha mãe apareceu, pegou alguns cobertores, disse me que minha avó permaneceria na emergência por uma noite e retornou ao hospital. Eu pensei que não era nada grave, já que não seria primeira vez que ela ficaria para ser observada, por conta da bronquite ou da pressão alta. Só que eu estava errada.
No dia seguinte, durante o almoço, minha mãe estava se revezando com o meu irmão mais velho para cuidarem dela. Foi então que ele ligou desesperado dizendo que nossa avó havia sido "levada". Naquele mesmo dia que eu fui descobrir que a Dona Albina tinha pneumonia e havia entrado em coma.
Meus tios vieram para a nossa cidade, e eu confesso que nunca havia visto a minha família tão unida. Nos revezávamos para visita-la. Eu lia a Bíblia para ela em quase toda visita. Foram dias de muita ansiedade e medo. Não sabíamos o que iria acontecer. As chances dela eram pequenas, por conta da idade e quadro avançados. Os médicos diziam que de cada dez idosos que entram no CTI naquele estado, apenas dois conseguem se recuperar.
Cerca de 40 dias depois, um milagre aconteceu. Ela acordou, e depois de um tempo, a mesma recebeu alta e retornou à sua cidade. Não tínhamos palavras para descrever tamanha felicidade. Naquela época, eu não estava nem um pouco próxima de Deus, mas de alguma forma eu sabia que, independentemente da maneira como tudo terminasse, Ele estava cuidando de tudo.
Depois disso, eu fui visita-la em minha cidade natal duas vezes. Uma em setembro, e outra em dezembro. Desta última, eu fiquei duas semanas cuidando de minha vó. Confesso que não foi fácil, mas foi uma das melhores experiências de minha vida. Eu não me considero uma pessoa completamente madura e responsável. O que eu faço em casa, é apenas auxiliar minha mãe. Mas naquele momento, eu precisava tomar as rédeas da situação. Eu cozinhei, limpei, mediquei, e ajudei minha avó por 14 dias. Ela não dormia bem, portanto, eu não dormi também. Ela não podia ficar muito tempo sem o oxigênio, então eu era responsável por ir ao mercado e buscar o que era necessário para ela. Suas mãos tremiam, devido à grande quantidade de remédios, por isso eu a ajudava a segurar e ler a Bíblia diariamente.
Como eu disse anteriormente, minha avó sempre foi uma pessoa bastante ativa. Alguém independente, segura, capaz de realizar qualquer feito. E de repente, ela não conseguia fazer praticamente nada sem ajuda. O que mais me marcou nesse período que passamos juntas, foi que mesmo que não pudesse ir à igreja, ou que nem sempre estivesse se sentindo bem-disposta, minha avó não se permitia abalar. Nada a impedia de orar, buscar a Deus e confiar que Ele estava no controle. E a partir disso, eu pude levar valiosas lições desse tempo que compartilhamos em sua casa. Hoje, mais de um ano após a sua internação, eu consigo perceber o quanto eu tenho para aprender sobre fé e confiança no Altíssimo. Independentemente do que ela estava enfrentando, em nenhum momento, minha avó deixou de acreditar em Deus. E é sobre isso que eu quero falar.
Muitas vezes, uma doença, um problema, ou uma circunstância nos faz parar ou regredir em nossa caminhada com Jesus. Nos sentimos fracos, impotentes, e nos esquecemos de quem somos filhos. Eu, por exemplo, muitas vezes não conseguia orar, por conta de algum resfriado, dor de garganta, asma, e até mesmo, problemas emocionais. É difícil falar com Deus quando não sabemos ou conseguimos dizer o que estamos sentindo. Mas nesses momentos, você pode simplesmente se ajoelhar e ficar em silêncio, porque Ele é capaz de escutar e compreender o que se passa em nossos corações. Ele nos conhece, nos entende, nos ama e nos perdoa, independente do que possamos ter feito. Seu amor, sua justiça e sua misericórdia são eternas. E é nisso que precisamos nos focar, no que é eterno. Nossos sentimentos e emoções não são eternos. Então porque se permitir estagnar por algo passageiro? O que é mais importante, salvar vidas para Cristo, ou se deixar levar pela maré das suas emoções?
Mesmo que você possa sofrer de alguma doença ou quadro permanente, a sua forma de lidar com isso pode ser modificada. Pois o que você sente ou pensa a respeito disso, é o que pode te aproximar ou afastar do Reino de Deus. Não se vitimizar, não se deixar abater, crer e entregar a sua vida verdadeiramente nas mãos do Senhor, é o que determinará o seu futuro de agora em diante. Uma pneumonia grave, que já estava tomando os dois pulmões, não foi capaz de deter a fé de uma senhora de 70 e poucos anos. E por isso eu decidi que a forma como eu me sinto, não será capaz de me parar.
Depois de muito cair e sofrer, foi que eu finalmente compreendi a superficialidade dos meus sentimentos, e a profundidade da grandeza do Senhor. Por mais que as dificuldades possam parecer grandes, eu decidi que não as deixarei me distanciarem da presença do Rei.  Mesmo que eu possa me sentir abatida e sem forças, é preciso apenas um passo, o primeiro passo em direção a eternidade. Dobrar os joelhos, começar uma oração em um dia ou momento difícil, estender a mão para alguém que precisa, escolher perdoar, dar início a algo novo ou, dependendo da sua dificuldade, clamar a Deus suplicando por forças, e iniciar um novo dia de caminhada com o Pai.
Eu não sei o que você está passando, mas eu sei que Ele nunca te abandonou. Deus sempre esteve do seu lado, te dando apoio e capacidade para suportar as dificuldades de cada dia. Não é fácil, eu sei. Ninguém disse que seria. Você precisa entender que essa dor e essa aflição são passageiras. Mas usar o seu tempo na Terra levando pessoas para Cristo, abençoando vidas, sendo usado para a Glória de Deus e permitindo que o Evangelho brilhe através da sua vida, isso sim é eterno. Para alcançar a vida eterna com o Rei, é preciso dar o primeiro e decisivo passo. Escolha ser transformado de dentro para fora, para que as coisas deste mundo não interfiram no seu futuro com o Senhor.
Hoje não foi um dia fácil, mas eu sei que com Ele ao meu lado, me fortalecendo, eu serei capaz de alcançar a libertação das minhas aflições. Para assim, ser 100% feliz, completa e plena na minha jornada com Jesus até o Reino de Deus.



Neves, G. L. L.

4 comentários:

  1. Amei demais esse post <3 maravilhosooo <3 Parabéns miga por estar passando essa mensagem de Cristo para frente com um testemunho tão maravilhoso

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    1. Eu fico tão maravilhada por saber que Deus está me usando pra fazer algo tão incrível. Eu estou feliz que tinha gostado. Espero poder trazer textos cada vez melhores. Obrigada por ler ❤

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  2. Amémmmm,texto riquíssimo!!No mundo nós teremos aflições, mas temos que ter bom ânimo e ir a Deus quando estivermos cansados e sobrecarregados!Ele que nos alivia 💞💞

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