sábado, 12 de agosto de 2017

Como se fosse a primeira vez

 

Certo dia, estava eu imersa em meus pensamentos enquanto navegava pela minha linha do tempo no Facebook. Um dia comum, certo? Eu me limitava a passar os olhos pelas publicações sem nem me dar ao luxo de dirigir meu foco à ação que eu estava praticando. Passaram se segundos, minutos, talvez horas, e eu ali estava, nesse movimento mecânico e repetitivo.
Não sei ao certo quando foi, ou como isso ocorreu, mas algo ali conseguiu prender a minha atenção. Eu já havia lido aquela frase, mas pela primeira vez, ela me fez refletir e teve um significado diferente daquele de costume. Se tratava de uma foto aleatória, e em sua legenda estava escrito algo como: "Quanto mais você fala da pessoa amada ou objeto de interesse a alguém, mais você se apaixona por ele". Confesso que aquilo ficou na minha cabeça por um longo período de tempo. O que mais impressiona é que aquilo realmente é verdade, e eu posso lhes provar:
Desde que me entendo por gente, gosto de escrever. Tenho muitos hobbies, mas inventar textos e histórias, é o único que consegue me fazer viajar e perder a noção do tempo. A cada linha que eu redijo, é como se eu conseguisse externar todo o turbilhão de sentimentos que tenho dentro de mim, tarefa que me parece impossível quando tenho a realizar com o uso da fala.
Para quem não sabe, eu cursei dois semestres de licenciatura em Artes Visuais na UFMS. Só que acabei sendo direcionada a mudar de curso, e no fim de agosto, irei ingressar no curso de Letras, na mesma universidade. Enfim, há algum tempo, eu estava em uma aula do meu antigo curso, quando o professor nos pede que façamos um relato, real ou fantasioso, de alguém que, ao ter contato com alguma referência artística, mudou sua forma de criar. É uma verdade que, quanto mais referências você adquirir e estilos diferentes você experimentar, mais enriquecido será o seu repertório, aumentando assim o seu potencial criador e capacidade imaginativa. Então, a partir do momento o qual você se depara com uma criação, seu modo de trabalhar é aperfeiçoado. Ou seja, quanto mais você degustar tipos diversos de arte (visuais, sonoras, cênicas ou literárias), mais fácil será para você criar algo novo. Por exemplo, se uma bailarina assiste muitas apresentações, treina bastante e pesquisa muito sobre o que há de novo em relação a dança, mais facilidade ela terá para criar e desenvolver coreografias.
Eu não queria simplesmente relatar algo que havia acontecido comigo, eu sentia a necessidade de criar. Quando dei por mim, já estava elaborando uma história. E o que era para ser algo bem simples e resumido, se transformou em duas laudas de uma das minhas melhores criações. Em "A bola e o lápis", eu contava a história de um garoto de 12 anos que brincava de bola noite e dia. Ele o fazia porque era a única coisa que lhe fora ensinada. Só que depois de um tempo, esse se cansa de sua rotina repetitiva. Em um fatídico dia, ele fica impossibilitado de brincar, então, sem ter muita escolha, o menino começa a desenhar a paisagem além de sua janela. Ele foi tomando gosto pela coisa e aquilo passou a fazer parte de seu dia. Admirada com a mudança de hábitos do filho, a mãe o matricula em uma oficina de desenho que ocorreria em um centro comunitário próximo de sua casa. Nesta oficina, o garoto tem o encontro com diversos artistas e obras. Dentre eles, William Turner. As criações deste despertam o interesse do garoto, e partindo disso, ele teve a sua forma de desenhar transformada. Cor e luz ganharam um novo significado para ele. A bola permanecia lá, mas agora ele a via de uma forma diferente. E para concluir, haviam se passado 6 anos, e agora, com seus 18 anos o rapaz decidira que o conhecimento adquirido não deveria parar nele. Ele se sentia no dever de passar isso para frente e o faria. Havia decidido cursar licenciatura em Artes Visuais, para ter o poder e o conhecimento de transformar vidas, assim como fizeram com ele.
Quando chegou a minha vez de apresentar o meu relato à turma, eu não consegui, nem por um segundo, deixar de encarar o papel. Minha voz estava aparentemente normal, mas minhas mãos estavam trêmulas, minha respiração estava descompassada e meu coração batia em um ritmo muito além do natural. Quando terminei, subi meu olhar do papel, para todos que ali se encontravam. Eu não conseguia respirar direito ainda, quando meus pensamentos foram interrompidos pelos aplausos. Eles me olhavam com um sorriso no rosto e eles pareciam ter realmente apreciado o meu texto. Eu só consegui minhas mãos em meu colo, quando sentia minha face queimar e ruborizar. Ao fim da aula, eu sai da sala e algumas pessoas vieram até mim para fazerem elogios ao o que eu havia escrito. Confesso que isso me fez muito bem. Eu me sentia muito orgulhosa. Não por ter sido elogiada, mas por ter produzido algo realmente bom, aos meus olhos.
Depois disso, eu gravei o texto em áudio, mandei para alguns amigos e até contei para minha mãe sobre o que havia ocorrido. Quanto mais eu o fazia, mais apaixonada eu me sentia pela minha criação. Isso pode ocorrer com a sua série favorita, uma experiência que você viveu e até mesmo com uma pessoa que você goste. O fato é que, quanto mais você compartilhar sobre o que você ama, mais esse amor crescerá e mais vontade de falar sobre isso você terá. Será um ciclo eterno.
Isso me faz pensar que com o Senhor é a mesma coisa. Quando temos nosso encontro inicial com ele, a intensidade do que sentimos é quase maior do que nós mesmos. É aquele amor que não cabe no peito. Queremos sair e gritar: "Eu sou filha de Deus e apaixonada por Cristo". Mas com o passar do tempo, a tendência é de que esse sentimento vá diminuindo à medida que nós vamos conhecendo todas as outras coisas que vêm agregadas à decisão de viver uma vida piedosa com o Pai. A caminhada não se limita só em ir à igreja. O ser verdadeiramente cristão é amar verdadeiramente a Deus sobre todas as coisas, com todo o seu coração e dedicação. Ele tem que ser o seu maior foco e sua maior prioridade. Você tem que compreender, aceitar e amar o fato que Jesus é seu filho, e que ele morreu para que nós fossemos salvos.
Então é preciso que compreenda que quem ama reserva um tempo para estar com a pessoa amada. Você tem que separar algum intervalo do seu dia para estar na presença Dele. Esse será seu momento de oração, estudo e meditação na Palavra, de reflexão acerca da sua jornada. Quando você ama, você sente saudades dessa pessoa o dia inteiro, e quando a encontra, é como se tivessem passado anos afastadas. Por mais que vocês passem o dia inteiro juntos, nunca é o suficiente. Você quer mais, sempre mais. Mas entenda, que você não precisa se limitar a passar apenas esse tempo com Ele, você pode e deve se lembrar do Pai ao longo do seu dia.
Quem ama, busca intimidade com o ser amado. Vocês têm sua própria linguagem e segredos. Ambos buscam saber sempre mais um do outro, e por mais que tentem, a todo segundo se deparam com uma informação nova, o que torna tudo mais interessante e cativante. Quem ama se submete a vontade do outro. Não por medo, mas por amor e respeito. Você deixa seus hábitos, manias e vícios, para se tornar alguém de quem o Pai de orgulhe. Que por ser nosso Pai, merece toda honra e toda glória possíveis.
Ore ao acordar, doe os primeiros momentos do seu dia Àquele que, além de te dar a vida, permitiu que você tivesse mais 24 horas para desfrutar da presença Dele. Leia a Bíblia, busque compreender e conhecer a Palavra de Deus, para assim poder contribuir para a propagação do Evangelho. Seja grato, Ele não precisava fazer tudo o que fez por ti, então se lembre de agradecer pelos amor, justiça e misericórdia Dele todos os dias. Carregue a sua cruz, aceite suas responsabilidades e sirva aos outros com muita compaixão, carinho e paciência. Se lembre da cruz, sendo sempre grato pelo sacrifício de Jesus. Tudo o que fizer, faça para a Glória de Deus, para que Ele seja exaltado e visto. Creia na salvação, no Reino de Deus e mantenha seu coração e mente direcionados para o alto. Ame aos outros, a si e ao Pai acima de todas as coisas. Reflita sobre o seu dia, busque melhorar e ser aperfeiçoado sempre. Jejue, não por “obrigação”, mas como uma demonstração de amor por Jesus. Mostrando que você sente tanta saudade Dele, que não consegue comer ou se divertir. Por fim, ore antes de dormir, e termine o seu dia da mesma maneira que começou, rasgando o seu coração na presença do Pai.
Fale, pregue, ensine, dance, cante, toque, cuide, aconselhe, escreva, ajude, doe, sirva. Faça com que o glorioso nome do Rei seja conhecido. Não gaste seu tempo brigando com seus companheiros, mas lutando pelo Evangelho, para que Ele alcance mais corações. Nunca se esqueça de testemunhar as maravilhas que o Pai fez em sua vida, não apenas verbalmente, mas com atitudes. Pessoas podem ser tocadas a partir da sua mudança de vida. Seja a bíblia viva de quem não pode ou não quer ler. Alimente diariamente o seu amor pelo Senhor, não permita que a chama se apague. Para assim, viver constante, verdadeira e eternamente no primeiro amor.


Neves, G. L. L.

2 comentários:

  1. Você escreve com tanto sentimento e amor que eu fico até emocionada. Mesmo eu não sendo a pessoa mais religiosa do mundo, acho bonito essa relação que alguns tem com Deus e como se sentem bem com isso. Às vezes algo simples é grandioso demais pra gente e tem o poder de nos mudar, de nos fazer ver o mundo de forma diferente <3 Continue escrevendo, seja aqui, ou só pra você!

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  2. Que linda ��
    Eu nem sei o que dizer, de verdade
    Mas muito obrigada por me inspirar tanto, de modo que eu criasse coragem para arriscar e publicar os meus proprios textos ❤
    Pode deixar, que eu nunca pararei de escrever. Mesmo que o mundo caia ao meu redor.
    Eu escrevo porque isso é o que eu sou, o que eu faço, e o que me representa.
    Nada poderá me parar ❤

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